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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Perto, porém Longe

O Retorno do Filho Pródigo, de 1669 por Rembrandt


''E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.
E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas ele se indignou, e não queria entrar.
E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos...''

Lucas 15:25-29

  
A parábola do filho pródigo, poderia muito bem se chamar "a parábola dos filhos perdidos".
Não só se perdeu o filho mais moço, que saiu de casa e foi até um país distante, gastando tudo que tinha, vivendo uma vida desregrada, mas também o filho mais velho que embora estava próximo de seu pai e de casa, havia se perdido em si mesmo. Externamente fez todas as coisas que um bom filho deveria fazer, mas no seu íntimo, se afastou completamente do real propósito de vida. E é justamente nele que muitos de nós nos identificamos.

Os pecados do filho mais moço é muito fácil de identificar, seu estado era visível. Porém, quanto ao filho mais velho, ele cultivava uma aparência exterior digna de respeito, honra e admirações; mas no seu interior trazia consigo ressentimentos, mágoas e infelicidade.

Muitos de nós nos tornamos "filhos mais velhos".
Nos portamos com uma aparência piedosa, cheios de auto-justificação, vestimos com pomposas vestes religiosas, mas ainda sim perdidos.
Perdidos em um orgulho devastador, atrás de uma máscara alimentada por anos. Cheio de realizações, mas vazio de identidade.
Encontramos extrema facilidade em apontar erros, mas falhamos em reconhecê-los em nós.

Da mesma forma em que seu irmão mais moço precisava se reencontrar em seu pai, se entregar ao seu amor incondicional. Ele, o filho mais velho também foi convidado a isso.

Mas as vezes, ao decorrer de nossas vidas, preferimos ficar do lado de fora da casa.
Nos tornamos  cobradores de Deus, achando que por muito fazer, sou mais digno ou o mais amado. Como se ele fosse obrigado a satisfazer todas as minhas vontades, Vivemos de sentimentos criados por nós mesmos, construímos uma auto imagem completamente diferente daquilo que é amor. Almejamos  realizações e elogios, afundamos ainda mais em um processo, que nos levam a se perder em um caminho criado por nossa próprias pretensões.

O pai não pensa assim, a sua graça não busca nem créditos e muito menos débitos, não depende de mim o seu amor.
ELE não deseja somente a volta do filho mais jovem, mas também a do mais velho. O mais velho também precisa ser encontrado e conduzido de volta à casa. Esta não é uma história que separa dois irmãos- o bom e o mau. Somente o pai é bom. O amor de Deus não depende de nosso arrependimento ou nossas mudanças internas ou externas. O grande desejo do pai é de me fazer voltar para casa, pois somente assim posso me tornar parecido com ele.

Seja no meio dos porcos ou do lado de fora da casa, tirem suas máscaras, entrem na casa, assente-se ao redor da mesa e desfrute da comunhão com Pai.

Você precisa voltar, você  precisa se encontrar no Pai, se despir de todas desculpas e vanglórias e correr apressadamente ao encontro daquele que nos chama ao arrependimento!



por Alisson Bruno



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