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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Para Recomeçar, Saia do meio dos Porcos!

(Lucas 15.11-27)

Todo recomeço é difícil, se devemos recomeçar é lógico que falhamos ou desistimos de algo ou alguém. Recomeçar implica o desejo de reiniciar; tornar a começar. Nunca recomeçamos aquilo que já foi terminado ou o que está indo na direção correta, por isso o desejo de recomeçar só vem quando reconhecemos a grande necessidade que temos em fazê-lo. É construir aquilo que foi destruído, escrever aquilo que foi apagado é voltar ao início quando tudo deu errado. Tudo na vida se resume no resultado final, porque ele determina quem você foi durante seu trajeto (Ec 1.8).

Uma das parábolas mais conhecidas de Jesus nos fala a respeito de um jovem sem nome, que o título o identifica como o filho pródigo ou o filho esbanjador. Embora o título do texto destaca somente o filho jovem, nos esquecemos que existem mais dois personagens que nos trazem ensinamentos maravilhosos. O pai, que sempre está à espera do filho. E o filho mais velho que acha que merece alguma coisa por tanto trabalhar. Porém sem o Pai, nada seria realizado, ele é o foco central da história.
Quero falar um pouco do filho mais jovem. Ele chega até ao pai e pede a parte da herança, mesmo sem direito a sua parte o pai o entrega aquilo que foi pedido. Depois de passar alguns dias, ele resolve ir embora. Ajuntando tudo, parte para um terra longe, onde gasta e esbanja sua riqueza. Tendo chegado naquela terra grande fome, o jovem sem nada começa a padecer necessidades e é obrigado a apascentar porcos. Mas durante esse trabalho seu coração lembra-se da comida, então ele resolve voltar, resolve recomeçar. Mesmo com o interesse no pão, ele sabe que nunca poderia ter abandonado seu pai. Sua fome, só reflete o vazio que se encontra em sua alma. As lembranças como fantasmas, teimam em atormentar sua mente. Para ser perdoado, é preciso querer o perdão, para ser amado é preciso querer o amor e para ser acolhido é preciso buscar o retorno para a vida que ele nunca deveria ter saído. Os momentos de êxtase e euforia, não conseguiram alimentá-lo, e quando a fome voltou, o único que tinha o pão era seu Pai.
E Ele sempre tem o que necessitamos, talvez eu realmente não queira o que Ele tem, é por isso que sempre vagamos pelos caminhos tortuosos que sempre nos levam para longe.

Para recomeçar é preciso voltar pelo mesmo caminho que o levara a viver afastado do pai, agora ele deve passar pelos mesmo lugares, estradas e cidades que outrora pareciam tão deslumbrantes e cheia de vida, agora não passa de testemunhas de seu orgulho e de suas falhas. Não é fácil caminhar de volta e encarar todas as suas frustrações. O recomeço nos transforma em pessoas mais humildes e dependentes, engolimos o orgulho e damos a meia volta batalhando com os nossos próprios pensamentos e formulando respostas e desculpas para o bondoso pai. Não tinha desculpas, não havia onde se esconder. Era preciso reconhecer o quão inconsequente eu fui, e admitir que a minha única esperança é ser aceito pelo pai. A palavra que encaixa no recomeço, sem dúvidas é o arrependimento. Sem ele não é possível fazer o caminho de volta, sem o arrependimento genuíno ficaríamos estagnados no mesmo lugar, lamentando e procurando acusar alguma situação pelo erro cometido.

Ás vezes gastamos muito tempo lamentando, murmurando com a condição que se encontra nossas vidas. Tempo esse que poderia ser usado caminhando de volta ao começo. Se o meu presente está ruim, é por que as minhas escolhas não foram sensatas . Muitos não entendem e culpam a Deus e até o abandonam. Deus não tem culpa de nossos problemas. Agora se quero que meu futuro seja melhor, então tenho que viver o agora debaixo da sabedoria de Deus. Foi o que o filho fez, o único culpado da situação em que se encontrava era ele mesmo. Ele teve que tomar uma decisão; ou recomeçava ou continuava na mesma vida.
O filho reflete muitas vezes a nós mesmos, quando somos imprudentes e abandonamos ao Pai. Queremos viver as nossas próprias vontades e interesses e escolhemos nosso destino. Achamos que somos, que podemos fazer e realizar, nos vangloriamos. Mas esquecemos que isso nos leva para longe de Deus, longe de seus cuidados. Quando nos assustamos estamos em meio a sujeira do pecado, fazendo coisas que antes tinhamos nojo. Minha única saída, ainda está lá no mesmo lugar onde deixei. Me esperando pronto para me receber, sem acusações, sem ressentimentos. Já não preciso de palavras pois suas ações só me deixa mais constrangido, descubro que não o conhecia porque recebo Dele amor e perdão, seu beijo e seu abraço fazem de mim tão pequeno e a única reação que tenho é me calar diante de tão grande misericórdia (2Co 5.14). Deus muitas vezes irá permitir que caiamos em nossos orgulhos e pretensões, para nos ensinar a respeito da vida e moldar nosso caráter (Rm 8.28).
Para recomeçar é preciso arrependimento, fome de pão(Jesus) e uma atitude que venha me levar ao caminho de volta ao encontro do Misericordioso Pai.
Não sei onde você parou, desanimou, e nem o motivo que o levou a isso. Talvez tenha desistido do seu casamento, de seus familiares, da igreja e até mesmo de sua vida. Recomece, persevere em seu caminho, a melhor maneira de recomeçar é com Cristo. Creia em seu evangelho, creia no seu perdão, assuma uma verdadeira vida ao lado Dele, porque a salvação será daqueles que sempre perseveraram, sempre recomeçaram tendo suas forças renovadas nos momentos de inconstâncias (Mt 24.13)(Jo 6.37). 
Que Deus lhe dê entendimento!
   Alisson Bruno


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sou verdadeiro quando olho para Cruz


(João 4.23)
Todos provavelmente já ouviram ou já leram a respeito do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Ficamos admirados com o grande ensinamento de Cristo de forma particular com aquela mulher desconhecida. Como sempre fazia, Jesus ao conversar com aquela samaritana quebra vários dogmas e rituais no qual ela estava presa por anos. Um dos métodos usados por Jesus era transmitir o evangelho de forma pessoal, primeiramente gerando um simples diálogo, porém contendo grande essência de graça e salvação.
Depois de sempre se esquivar do rumo da conversa, por ignorância ou até mesmo propositalmente, Jesus e a mulher entram em um tema que nos trazem uma revelação profunda da parte de Deus, do qual tive uma grande alegria ao contemplar essa verdade.
No versículo 20, a samaritana coloca uma barreira entre a adoração no monte Gerizim e em Jerusalém. Ela acredita que a verdadeira adoração é feita em lugares específicos, e fora destes lugares, não é possível adorar a Deus. Pelo fato de ser samaritana, sua adoração foi influenciada pela tradição de seus pais (seus antecedentes) que levantaram um templo no alto monte Gerizim.
A explicação de Jesus que é o grande ponto; Ele a faz recordar que o Messias prometido sairia do meio do povo judeu e que iria chegar uma determinada hora, onde os verdadeiros adoradores seriam procurados pelo Pai, pois estes teriam uma adoração espiritual e verdadeira diferente das quais estavam acontecendo.

Adoração em espírito e em verdade, não é simplesmente levantar as mãos, ou cantar alguns louvores. Não é se emocionar ou pular, não é fechar os olhos por alguns momentos sussurrando algumas palavras. Queremos entregar uma adoração a Deus como se fosse um ritual vazio e sem propósito, o problema maior é quando a suposta adoração enfatiza somente a mim mesmo e as minhas necessidades.
Para ser adorador é preciso deixar tudo aos pés de Jesus. Embora não apresentemos desculpas para os nossos pecados, estamos humildemente conscientes de que os nossos pecados é precisamente o que nos levam a nos atirarem à mercê do Pai, buscando o arrependimento genuíno,que traz uma convicção verdadeira e uma mudança completa de vida.
Adoração em espírito e em verdade é com inteligência e entendimento, e só foi possível porque chegou a hora, esta hora foi concretizada lá na cruz do calvário. Através do sangue de Cristo, todos tem a oportunidade em adorar ao Pai, pois agora Ele não se manifesta somente em determinados lugares, agora Ele é acessível e disponível (Ef 2.13-16) (Hb 10.19).
Todos as vezes que João escreveu falando sobre “a hora” sempre estava se referindo ao maior e melhor momento de Cristo. A cruz (Jo 2.4, 7.30, 12.27, 17.1). Logo, o que determina se sou verdadeiro ou falso adorador é a minha atitude ante sua morte no calvário.
Jesus queria que a mulher tirasse sua atenção dos montes e templos, tivesse a sua fé firmada em sua pessoa e em sua salvação. Era necessário ela aprender que Deus seria encontrado, quando buscado por propósitos corretos. A subida ao monte ou a ida até o templo, só era feita por pessoas que se alto denominavam merecedoras e se vangloriavam por causa disso. Talvez já tinha anos que aquela mulher não sabia o que era adoração, pois ela não se encaixava nos requisitos. Foi justamente por ela não se enquadrar nesse perfil é que seria uma ótima candidata para que fosse encontrada pelo Pai.

Sou adorador quando reconheço quem sou eu diante da cruz, reconheço que a minha religiosidade ou a minha própria maneira de viver não são capazes de me lavar dos meus pecados. Que estava afastado, longe, inimigo de Deus e merecia o mais profundo abismo.

Sou verdadeiro quando sou tomado por tamanha frustração que já não me agarro em minhas forças. Quando a alegria se esgota, as orações já não são respondidas e o desânimo bate à porta. Quando as lágrimas começam a rolar em meu rosto, decepcionado comigo mesmo, percebendo que não amo, como deveria amar.

Sou espiritual quando entendo que aquela cruz me constrange, vivo em perseverança, sabendo que sou peregrino em terra estrangeira. Sou espiritual quando tenho fé em continuar olhando para Cristo mesmo em momentos difíceis e entendo que tenho mais do que poderia imaginar. Sou espiritual quando a honestidade toma conta de mim, e para ser honesto não é fácil, pois acredito que sou inaceitável, abro mão da minha auto justificação, renuncio a pretensão de achar que minhas orações, meu discernimento espiritual, meus dízimos e meus sucessos ministeriais me fazem agradáveis a Deus. Sou amável apenas porque Ele me ama, e isto é o suficiente para mim.
Entendo que o dom oferecido a mulher samaritana, também é oferecido aos que com um coração contrito estende as mãos para aceitá-lo.
O Pai procura por pessoas que entenderam o propósito de Cristo, que fazem de suas vidas um honesto sacrifício, tendo a consciência da necessidade de mudanças, e esta feita através da sua palavra.

Para sermos procurados por Deus, não precisamos de misticismos, rituais, altos montes ou templos cheios. Não precisamos de extravagancias, vãs repetições e longas orações.
Só serei achado pelo Pai, quando eu encontrar Jesus na cruz.


Alisson Bruno

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Para se Alegrar é Preciso Ouvir


(João 3.29)

Aquilo que nós ouvimos diz muito a respeito de quem somos, a grande massa sempre opta em ouvir algo que venha acrescentar ou acariciar o “eu interior”. Todos tem uma grande necessidade em ouvir, pois ouvir vai muito além de escutar. Ouvir nos faz pensar, não nos induz a opiniões precipitadas e nos molda a mensagem falada.
É bem verdade que multidões preferem acreditar no que se vê, do que se ouve, e neste frenesi vivemos em uma sociedade que é atraída pelos olhos. E com isso surge a aposta da mídia televisiva juntamente com o consumismo onde o importante é apresentar alguma coisa que venha satisfazer o olhar, cria-se em um grande desejo em buscar, ter e ser aquilo que se vê. Os olhos famintos sempre encontram descontentamento, pois o desejo dos olhos somente reflete o que existe no coração (Mt 6.22).
O certo é que o desejo dos olhos dos homens sempre os levarão ao vazio da alma, pois sem o alvo certo sempre haverá uma lacuna a ser preenchida.
O triste é que em nosso meio cristão acontece a mesma coisa, há uma busca desenfreada pelo o que é visto. E nem sempre essa busca gera vida, pelo contrário nos tornamos máquinas que somente é abastecida com os olhos. Não importa a origem, o importante é se ver, busco ver para crer, se não vemos alguma coisa acontecer, algo extraordinário, então presumimos que Deus não está no negócio, não valorizamos as pequenas coisas, nos preocupamos com as grandes e não percebemos que a vitória e os cuidados do Senhor tem sido realidade todos os dias. Quando não vivemos com esse pensamento nossa vida se torna uma frustração, logo vivemos em uma busca constante por milagres, bênçãos palpáveis e benefícios, resultando em cristãos que tem a fé gerada naquilo que se pode ver.
 Com João Batista aconteceu diferente, sua alegria havia se cumprido em ouvir a voz de um homem. Parece estranho, porque ele estava rodeado de acontecimentos maravilhosos, ele se deixou influenciar pelo que ouviu naquele momento e não o que tinha visto, e ele tinha motivos de sobra para se alegrar com os acontecimentos.
Em meio ao deserto, em um lugar seco e quente, propicio para trazer desânimo, João Batista ouve uma voz, e essa voz deixa seu coração palpitante e cheio de alegria. Não foi simplesmente uma voz. Não foi a voz dos pregadores orgulhosos e presunçosos. Não foi a voz de religiosos acusadores. Não foi a voz de mercenários com palavras vazias.
João em meio ao deserto ouve uma doce e maravilhosa voz, envolta em esperança e fé, trazendo refrigério diante de um grande deserto. O prometido havia entrado em cena e era necessário ele sair, porque  Jesus ia crescer.
A fé verdadeira e genuína é gerada quando nos disponibilizamos em ouvir Jesus, quando paramos e ouvimos suas palavras, quando dedicamos a ela, quando meditamos e tiramos um tempo para deixá-la fazer o seu papel em nossas vidas (Rm 10.17). Conhecemos mais a Jesus quando o ouvimos e não somente quando vemos seus milagres. Muitos, antes de terem um encontro com Jesus pessoalmente tiveram um encontro com sua palavra e seus ensinamentos, e foi nesse momento que a fé foi gerada em seus corações (Mc 3.8- 5.27) (Lc 7.3).

O que se vê é passageiro, mas o que se ouve permanece em nossos corações, e então passamos a crer, e essa crença na palavra de Deus nos induz a sermos moldados em relação a ela. Muitos judeus viram os milagres de perto e mesmo assim permaneceram com suas vidas na mesma mediocridade de sempre. O que eles precisavam era de  “ouvir” as palavras que traziam vida e não os milagres que endureciam seus corações. Se dedique em ouvir mais a palavra de Deus, tire sua bíblia da estante e comece a colocá-la em seu coração, abra suas páginas e então ela abrirá seu entendimento, queira conhecê-la e então você irá perceber Jesus se revelando de uma forma maravilhosa em sua vida.

Alisson Bruno

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Jesus, o escândalo na cruz


(1Co 1.23)(Gl 5.11)(Rm 9.33)
A lógica humana, sempre nos leva a pensar que os fortes e os auto-suficientes merecem um grande prêmio pelas suas façanhas, enquanto os fracos, pobres e indignos merecem um lugar inferior. Porém Deus sempre realizou o contrário e sempre desfez as lógicas humanistas, Ele demostrou que aquilo que nós mesmos tachamos por correto ou coerente, não é o conceito Dele. Jesus sempre procurou por pessoas, que pela lógica ou visão do homem não mereciam serem procuradas, algumas com reputação duvidosa e outras com desvios de caráter, que sempre eram vistos como pessoas que não mereciam o respeito ou dignidade. Cristo ao invés de se afastar delas como faziam os judeus e principalmente os fariseus, ele se aproximava e gastava seu tempo, suas palavras e todo o seu amor com aqueles que pela chamada ''lógica humana'' não mereciam nada.
Aquele homem de Nazaré deixava a todas perplexos com suas atitudes pois ele não obedecia as tais regras impostas pelos homens e muito menos se preocupava em agradá-los. Era impossível um judeu se relacionar com tais pessoas e muito menos comer com elas em um ato de comunhão, mas Jesus alcançava todos e não deixava dúvidas que sua graça era suficiente para todos, sem acepção ele abraçava desde crianças até os mais idosos, desde soldados romanos a fracos e mal-cheirosos leprosos.Suas palavras vinham ao encontro das necessidades e se moldava com a vida sem esperança do povo. Murmurações eram o que mais ouvia no meio de Israel, mas vá perguntar aos cegos e tantos outros que receberam seu toque se realmente importava com os tais comentários.Seu ápice aconteceu em uma sexta-feira à tarde, não somente Israel mas todo o universo parou diante de um ato único, um episódio que ficaria marcado por toda a eternidade. Correria pelas ruas de Jerusalém, famílias reunidas, religiosos aglomerados e uma multidão de pessoas em pé diante do maior espetáculo já visto.
Aquele homem que antes estendia sua mão em favor aos  leprosos,  agora tem elas separadas por pregos, sua boca que trazia palavra de vida e esperança, agora sedenta clama por água, seu corpo que exalava vida, nesse momento ferido, mal consegue se mexer. Não é um simples homem apenas, mas o criador de tudo, o único Deus pendurado em uma cruz. Envergonhado, humilhado, um verdadeiro escândalo exposto aos olhares da multidão sem identidade.
Mais uma vez Jesus, o Cristo quebra todos os conceitos de legalidade e formalidade, e anuncia que aquele ato de vergonha e escárnio, é a consumação da salvação de todos, inclusive aqueles que não compreendiam que aquele homem que havia se tornado maldito por morrer em uma cruz, seria a causa de redenção a todos  que humildemente aceitam a oferta da graça.

A graça é uma afronta aos orgulhosos, aos que se acham merecedores e auto-suficientes, para os grandes e orgulhosos a graça e a cruz são inaceitáveis, pois ela expõe toda a fraqueza e insuficiência humana. O escândalo da cruz é um incômodo aos presunçosos, mas aos arrependidos, cansados e desesperançados ela é a cura, a salvação e a realidade da misericórdia de Deus expressa na pessoa de Jesus Cristo. Na cruz é arrancado de nós qualquer possibilidade de mérito, aplausos ou glória e nos lança completamente a uma necessidade de humilhação e dependência. Por ser incompreensiva para alguns e ofensiva para outros o escândalo na cruz é, e para sempre será o motivo de olharmos para Cristo.

 Alisson Bruno