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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Sou verdadeiro quando olho para Cruz


(João 4.23)
Todos provavelmente já ouviram ou já leram a respeito do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Ficamos admirados com o grande ensinamento de Cristo de forma particular com aquela mulher desconhecida. Como sempre fazia, Jesus ao conversar com aquela samaritana quebra vários dogmas e rituais no qual ela estava presa por anos. Um dos métodos usados por Jesus era transmitir o evangelho de forma pessoal, primeiramente gerando um simples diálogo, porém contendo grande essência de graça e salvação.
Depois de sempre se esquivar do rumo da conversa, por ignorância ou até mesmo propositalmente, Jesus e a mulher entram em um tema que nos trazem uma revelação profunda da parte de Deus, do qual tive uma grande alegria ao contemplar essa verdade.
No versículo 20, a samaritana coloca uma barreira entre a adoração no monte Gerizim e em Jerusalém. Ela acredita que a verdadeira adoração é feita em lugares específicos, e fora destes lugares, não é possível adorar a Deus. Pelo fato de ser samaritana, sua adoração foi influenciada pela tradição de seus pais (seus antecedentes) que levantaram um templo no alto monte Gerizim.
A explicação de Jesus que é o grande ponto; Ele a faz recordar que o Messias prometido sairia do meio do povo judeu e que iria chegar uma determinada hora, onde os verdadeiros adoradores seriam procurados pelo Pai, pois estes teriam uma adoração espiritual e verdadeira diferente das quais estavam acontecendo.

Adoração em espírito e em verdade, não é simplesmente levantar as mãos, ou cantar alguns louvores. Não é se emocionar ou pular, não é fechar os olhos por alguns momentos sussurrando algumas palavras. Queremos entregar uma adoração a Deus como se fosse um ritual vazio e sem propósito, o problema maior é quando a suposta adoração enfatiza somente a mim mesmo e as minhas necessidades.
Para ser adorador é preciso deixar tudo aos pés de Jesus. Embora não apresentemos desculpas para os nossos pecados, estamos humildemente conscientes de que os nossos pecados é precisamente o que nos levam a nos atirarem à mercê do Pai, buscando o arrependimento genuíno,que traz uma convicção verdadeira e uma mudança completa de vida.
Adoração em espírito e em verdade é com inteligência e entendimento, e só foi possível porque chegou a hora, esta hora foi concretizada lá na cruz do calvário. Através do sangue de Cristo, todos tem a oportunidade em adorar ao Pai, pois agora Ele não se manifesta somente em determinados lugares, agora Ele é acessível e disponível (Ef 2.13-16) (Hb 10.19).
Todos as vezes que João escreveu falando sobre “a hora” sempre estava se referindo ao maior e melhor momento de Cristo. A cruz (Jo 2.4, 7.30, 12.27, 17.1). Logo, o que determina se sou verdadeiro ou falso adorador é a minha atitude ante sua morte no calvário.
Jesus queria que a mulher tirasse sua atenção dos montes e templos, tivesse a sua fé firmada em sua pessoa e em sua salvação. Era necessário ela aprender que Deus seria encontrado, quando buscado por propósitos corretos. A subida ao monte ou a ida até o templo, só era feita por pessoas que se alto denominavam merecedoras e se vangloriavam por causa disso. Talvez já tinha anos que aquela mulher não sabia o que era adoração, pois ela não se encaixava nos requisitos. Foi justamente por ela não se enquadrar nesse perfil é que seria uma ótima candidata para que fosse encontrada pelo Pai.

Sou adorador quando reconheço quem sou eu diante da cruz, reconheço que a minha religiosidade ou a minha própria maneira de viver não são capazes de me lavar dos meus pecados. Que estava afastado, longe, inimigo de Deus e merecia o mais profundo abismo.

Sou verdadeiro quando sou tomado por tamanha frustração que já não me agarro em minhas forças. Quando a alegria se esgota, as orações já não são respondidas e o desânimo bate à porta. Quando as lágrimas começam a rolar em meu rosto, decepcionado comigo mesmo, percebendo que não amo, como deveria amar.

Sou espiritual quando entendo que aquela cruz me constrange, vivo em perseverança, sabendo que sou peregrino em terra estrangeira. Sou espiritual quando tenho fé em continuar olhando para Cristo mesmo em momentos difíceis e entendo que tenho mais do que poderia imaginar. Sou espiritual quando a honestidade toma conta de mim, e para ser honesto não é fácil, pois acredito que sou inaceitável, abro mão da minha auto justificação, renuncio a pretensão de achar que minhas orações, meu discernimento espiritual, meus dízimos e meus sucessos ministeriais me fazem agradáveis a Deus. Sou amável apenas porque Ele me ama, e isto é o suficiente para mim.
Entendo que o dom oferecido a mulher samaritana, também é oferecido aos que com um coração contrito estende as mãos para aceitá-lo.
O Pai procura por pessoas que entenderam o propósito de Cristo, que fazem de suas vidas um honesto sacrifício, tendo a consciência da necessidade de mudanças, e esta feita através da sua palavra.

Para sermos procurados por Deus, não precisamos de misticismos, rituais, altos montes ou templos cheios. Não precisamos de extravagancias, vãs repetições e longas orações.
Só serei achado pelo Pai, quando eu encontrar Jesus na cruz.


Alisson Bruno

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