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terça-feira, 29 de junho de 2010

Lobos Vs Ovelhas

                                                                                                    
                                                                                                                    Por Silene Marques

A baixa qualidade das mensagens em nossos dias é perceptível ao compararmos as mensagens dos discípulos do Novo Testamento com tantas falsificações e inovações na atualidade que corrompem e afastam o povo da simplicidade que há em Cristo (2Co 11.3). Muitas das pregações contemporâneas em muito se diferem das pregações na igreja primitiva.

A manifestação divina se dá quando há a exposição verdadeira Palavra:
Na igreja primitiva, os apóstolos tinham grande estima e respeito pela Palavra. A ênfase era que se arrependessem (Mc 6.12), o Reino de Deus (Lc 9.2; At 28.31), o batismo de arrependimento (Lc 3.3). Quando pregavam a Palavra com ousadia, o poder de Deus se manifestava de forma poderosa, o que implicava em sinais, prodígios, milagres, curas (At 14.3). Naquele tempo também já havia heresias nas igrejas. Mas hoje o que constatamos é um excesso de meninices e manifestações abusivas e extravagantes sem nenhuma sustentação bíblica, sendo classificadas como “poder de Deus”. Segundo a Bíblia, para os que são salvos, poder de Deus é a Palavra da cruz (1Co 1.18). E a Palavra do Senhor nos mostra que os sinais da parte de Deus se manifestam em decorrência da pregação genuína do Evangelho (At 2.43; 6.8; 8.4-8; 14.3; 15.19; Hb 2.4).

 Pregações inspiradas pelo Espírito levam a Cristo; espetáculos levam somente ao emocionalismo:
Os servos de Deus falavam inspirados pelo Espírito, o que levava as pessoas à verdadeira conversão, tendo eles convicção do pecado e recebendo libertação. Não tinha nada em comum com os espetáculos e historinhas que presenciamos em nossos dias, em que impera o puro emocionalismo sendo confundido com unção. Pregações genuínas, inspiradas pelo Espírito, levam os convertidos a permanecerem firmes sem se desviar e serem renovados pelo Espírito. “Somente quando o evangelho é proclamado com poder, como declara o NT, é que o mundo perdido pode ser ganho para Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD. nota At 4.30, p. 1637). Como ouvirão se alguém não pregar? E como crerão em Jesus se não ouvirem a seu respeito? (cf. Rm 10.14)

 A exposição bíblica nos ensina o bom testemunho e a ter paz nas tribulações; a superficialidade não produz frutos:
Os que ouviam as pregações inspiradas pelo Espírito, proclamadas com fé em Cristo e certeza, permaneciam firmes, passando pelas tribulações com gozo no Espírito Santo de maneira que eram exemplo (1Ts 1.5-7).
Pelo contrário, o que vemos são manifestações passageiras e infrutíferas, que não são frutos da exposição bíblica, mas de pregações superficiais de pura utopia ministrada nos púlpitos de hoje, que ultrapassa a racionalidade levando o povo a rejeitar a cruz, e geralmente são seguidas de uma frustração quando aparecem as lutas.

A simplicidade da Palavra de Deus convence; a vaidade e prepotência de palavras de homens não leva à reflexão
O apóstolo Paulo tinha convicção de que não era sua persuasão ou inteligência que convenceria as pessoas de seus pecados e do evangelho, mas pregava a mensagem com simplicidade. Ele tinha estudo e preparo, porém se conservava em total dependência da direção e poder do Espírito Santo (1Co 2.4,5).
Hoje vemos homens vaidosos e autosuficientes, que não anunciam a simples e pura Palavra de Deus, mas sim as suas próprias palavras, que abalam as estruturas emocionais do povo, visando seus próprios interesses e projeção com seus shows de exibicionismo, mas não os levam a refletir acerca do Evangelho.

 O Culto a Deus foi transformado em Culto ao “eu”
Com as pregações e “hinos” modernos, que afagam nosso ego, o culto agora é para nós! Assim como as pregações, no que diz respeito a louvores, dificilmente encontramos letras que contenham algum louvor a Deus. Cantam e pregam mais exaltando o ser humano.
A maravilhosa mensagem da cruz, que foi ensinada com tanto amor, dedicação e ousadia pelos discípulos da igreja primitiva, hoje está sendo desprezada, em favor de um falso evangelho, triunfalista e completamente deturpado. O sangue que Jesus derramou por nós foi relegado e a cegueira espiritual se alastra, dando espaço a uma pregação que somente enfatiza o bem-estar humano, como a Teologia da Prosperidade.

Ensinavam a examinar as mensagens e profecias e expunham suas críticas contra os erros, pois o foco era a Palavra; hoje alguns ensinam que devemos ignorar as heresias e os falsos profetas, pois não podemos “julgar”:
 As Escrituras nos diz que os discípulos de Jesus advertiam o povo, de como deveria ser o culto, visando a adoração a Deus, a comunhão entre o corpo de Cristo, utilizar os dons para a edificação da igreja e não para ostentação, um culto sem confusão, com ordem e decência (1Co 14.33). Seu foco era as Boas Novas. Combatiam o mundanismo, lutavam contra o mal, ensinavam a não tolerar erros, pecados, falsos profetas e heresias. Parte da igreja de hoje condena os que buscam denunciar tais coisas, ignorando as diretrizes bíblicas. Reprovar heresia virou sinônimo de “murmuração” ou “crítica” para os que dão espaço para estes erros.


Pregavam a Nova Aliança do Senhor Jesus; os pregadores que não têm compromisso com Palavra não pregam o Novo Testamento:

Há uma enorme diferença entre uma mensagem sólida, cuja essência é Jesus Cristo e este crucificado (1Co 2.2), e uma pregação em que há barulho demasiado, emocionalismo sem unção, carnalidade, com palavras que impressionam, mas destituídas de conteúdo, que não trazem edificação, reflexão, arrependimento, transformação. Mensagens aparentemente bíblicas, mas sem cruz e sem Jesus. Literalmente sem Jesus, visto que os pregadores modernos concedem visível destaque ao Antigo Testamento, pois pouco ouvimos alguma referência sobre o Novo Testamento sendo citadas em suas mensagens.

Os apóstolos honravam a Deus e à sua Palavra. A mensagem proclamada pela igreja primitiva era Cristo crucificado (cristocêntrica), e não historinhas, gritos, invencionices, o valor humano (antropocentrismo), busca excessiva por milagres, práticas do tempo da lei, misticismo. Algumas pessoas hoje não contentam com o que é simples, em apenas viver para Deus, elas querem viver algo mais, e por isso demonstram simpatia e receptividade aos pregadores contemporâneos.
Mas graças a Deus hoje ainda encontramos pessoas (pastores, pregadores, irmãos) que fazem a diferença, que resplandecem como luz no meio das trevas que tomam conta do mundo, que defendem a sua fé a qualquer custo, que zelam realmente pela Palavra de Deus, que estão dispostos a permanecer na Verdade mesmo que esta venha a desagradar as pessoas. Antes, desejam ardentemente agradar a Deus (Ef 6.6; Gl 1.10 ). No meio de tanta apostasia, falsos ensinos, evangelhos estranhos, ainda encontramos quem prega, quem ama, e quem suporta a sã doutrina. Pessoas comprometidas com Deus, que não pregam a si mesmo, mas pregam a Cristo Jesus, o Senhor (2Co 4.5), que é a essência do Evangelho.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A benção de ser um derrotado

Por Pablo Massolar


Ninguém gosta de perder... A perda sempre gera momentos de dor, angústia, frustração, insegurança em relação ao futuro e quase nunca estamos preparados emocionalmente para perder, seja pela surpresa, pelo inesperado que nos atropela de repente ou por precisar abrir mão de algo importante.
Numa sociedade viciada em ganhar, onde, desde muito pequenos, somos adestrados e incentivados a agir sempre competitivamente em todas as coisas, aprendemos que somente os fracos perdem.
Em tempos como os que vivemos, a derrota parece ser o não sucesso, o não se sobressair tanto no mercado de trabalho como na conquista de uma pessoa desejada, não alcançar algo que se quer ou perder para alguém mais forte, aparentemente melhor preparado que a gente.
Não é tão incomum, e aliás está se tornando uma doença crônica que vai se alastrando incontrolavelmente, ouvir até mesmo os ambientes religiosos reproduzindo o velho discurso a favor da "vitória" a qualquer custo.
Mesmo que para isto seja preciso abrir mão do bom senso, do Evangelho puro e simples ensinado por Jesus, não como um meio de ganhar tudo o que se quer ou se deseja, mas, mesmo na aparente derrota, encontrar o caminho da consciência pacificada de que todas as coisas cooperam sempre para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo um propósito infinitamente maior do que perder ou ganhar.
Até mesmo a perda ou o não ser atendido na petição que fazemos se torna motivo de glória e livramento incontáveis vezes. Na perspectiva do Reino nem sempre os "vitoriosos", os "fortes" ou aqueles que chegam em "primeiro lugar" cheios de "honras" herdarão a terra.
Tenho visto uma geração inteira dentro dos templos/mercados pagando, e pagando muito caro, alguns dão o que não podem para tentar se tornar "vitoriosos" segundo as suas próprias perspectivas viciadas e distorcidas. Dão ofertas/oferendas generosas, fazem pactos, propósitos, compram o favor das entidades ou das forças e elementos da natureza afim de se tornarem imbatíveis.
Querem fechar o corpo, ganhar força e poderes sobrenaturais para jamais perderem. Como se fosse possível, tentam até mesmo comprar o "in-comprável", acham que Deus é um negociador que distribui bens, fortuna e sucesso em troca de moedas, sacrifício ou serviço abnegado. Eles até ganham alguma coisa, conquistam lugares, pessoas, situações e demandas, mas acabam perdendo o essencial da vida. "Ganham" sempre, mas ganham sem paz, sem alegria, sem sabor e sem verdade.
Precisamos entender que nossa limitada e frágil humanidade, nossa derrota diante das vitórias que provocam mais mal do que bem, na verdade, é uma bênção. É exatamente a capacidade de perder que nos faz crescer para a vida. A perda não é sinal de fraqueza, mas sim de força pois é neste momento que a consciência de que não somos indestrutíveis cresce ou que nossa aparente força nada é, que descobrimos o dom do quebrantamento.
Por incrível que pareça, o poder de Deus em nossas vidas se aperfeiçoa mesmo é na fraqueza, no reconhecimento de que o controle de todas as coisas é somente Dele. Perder ou ganhar, neste sentido tanto faz, é só mais um aprendizado.
A arrogância dos "vencedores" e dos "poderosos" é, de fato, a anti-vitória. Quem ganha sempre forçado ou comprado, está acumulando para si próprio uma perda irrecuperável, a destruição dos valores fundamentais da vida, da segurança de passar pelo vale da sombra da morte sem temer mal algum porque a presença Daquele que habita o coração dos quebrantados e humildes o acompanha.
Não! Eu não quero ganhar sempre, decretado, comprado ou profetizado... Ganhando ou perdendo, vou seguir minha vida habitando com Aquele que me faz mais do que vencedor até mesmo nas derrotas que me sobrevém, sendo seguido pela bondade e pela misericórdia todos os dias da minha vida.
Eu não sei se amanhã eu vou ganhar ou perder, a única certeza que está viva e pulsante no meu coração, todos os dias, é que eu sei em Quem tenho crido e sei também que Ele é fiel e poderoso para me guardar até mesmo no dia da derrota, no dia mal.
O Deus que chamou para junto de si os fracos e sobrecarregados te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!
 
 
caminhado na Graça